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Bolo cru e post-it, alguns acasos
Pulso - Edição #007

Alguns anos atrás, um homem ganhou na loteria nacional espanhola com um bilhete que terminava com o número 48. Orgulhoso por seu feito, ele revelou a teoria que o levou à fortuna. “Sonhei com o número 7 por 7 noites consecutivas”, disse, “e 7 vezes 7 é 48”.
O som da batedeira ao fundo, vários potes espalhados pela mesa, farinha derramada como se contasse onde o crime ocorreu. Eu, com minha colher na mão, esperando ansiosamente para provar um pouco da massa.
Acho que a melhor parte era a mistura da gema com açúcar e chocolate derretido - ou algo assim. Adorava aquele sabor de bolo cru.
Minha mãe sempre fazia e eu ajudava - mais experimentando do que qualquer outra coisa, mas estava ali, fazendo companhia e aproveitando o momento.
Não lembro de ter conhecido outro ser humano - adulto ou criança - que compartilhasse desse gosto peculiar. E não tá, bolo cru não causa dor de barriga.
De qualquer forma, algo que sempre me intrigou foi: como alguém teve a ideia de misturar farinha, ovo, fermento e tantos outros ingredientes e descobriu que, ao levar ao forno, aquilo se transformaria em uma massa fofinha e deliciosa?
Vivemos em uma época privilegiada, onde quase tudo já tem um nome, uma função ou um manual de instrução. Não precisamos mais quebrar tanto a cabeça para fazer algo - pelo menos não tanto quanto antes.
E os bolos que conhecemos hoje não surgiram de um dia para o outro. Levaram milhares de anos para se transformar no que encontramos em nossas casas e confeitarias. Foram inúmeras misturas e combinações, passadas de pessoa para pessoa, de geração para geração e entre diferentes culturas.
Mas como chegaram a algo tão especial?
Procurando facilitar, se tornou algo diferente
O trigo era algo meio difícil de ser consumido. Então era comum que as pessoas moessem e misturassem com água para amolecer. Esse era um pão sem fermento.
Foi um desses pães sem fermento que alguém esqueceu um pedaço exposto e, graças à ação de microrganismos como fungos e leveduras, ele fermentou e cresceu. Um corajoso caçador-coletor experimentou esse pão macio e levou a ideia adiante.
Com o passar dos anos, novas combinações foram surgindo. No Egito Antigo, por exemplo, já se preparava um pão doce com xarope, tâmaras e passas - os primeiros "bolos", que receberam esse nome por sua semelhança com uma bola.
Então, os bolos que conhecemos surgiram dos pães antigos.
Às vezes, a casualidade da vida nos leva a grandes descobertas. Outras vezes, a observação nos faz imaginar possibilidades que, ao serem testadas, resultam em algo bem legal.
A experimentação gera invenção
Mas as experiências com misturas não se limitam à cozinha. Outro exemplo é o Post-it - um produto que nasceu de um resultado inesperado na busca por um adesivo ultra-resistente.
O químico Spencer Silver estava pesquisando um adesivo forte para a aviação, mas o resultado foi o oposto: uma cola com baixa aderência, que permitia ser removida e reutilizada facilmente.
Ele não entendia qual a funcionalidade poderia ter aquilo, mas continuava a falar dela para todos. Até que seu colega Arthur Fry comprou a ideia.
Durante suas idas à igreja, Fry enfrentava um problema: os marcadores das músicas do hinário (livro religioso de canções) viviam caindo. Ele precisava de algo que fixasse a página sem danificá-la, e se lembrou das notas adesivas de Silver.
A partir disso, começou a usá-las como amostras e as enviou a secretárias e executivos da 3M. Um dia, enviou um relatório a seu supervisor com uma dessas notas coladas e uma mensagem escrita. Para sua surpresa, o supervisor respondeu na mesma nota.
Foi o começo de tudo.
E valeu a pena.
Hoje, o Post-it virou marca registrada e copiada e possui mais de 4 mil produtos semelhantes, sendo comercializado em mais de 150 países.
Quem diria que um "fracasso" poderia se transformar em um sucesso absoluto?
O acaso que "pode" transformar
Essas duas histórias de experimentação, fazem refletir sobre como a vida se transforma a cada mistura, a cada tentativa.
Em cada gesto, há a sutil magia do inesperado, que nos desafia a olhar para além do convencional e a descobrir novos sabores na rotina.
No Pulso, crio um espaço para histórias, experiências, observações e reflexões. Um lugar onde compartilho um pouco de mim e deixo que os acasos da vida se transformem em inspiração e aprendizado.
Bom, assim espero.
Era isso.
Ressonâncias
Daquelas músicas para sentir, o que quer que seja. Para mim, fala de algo bom que não volta mais. Mas tem um conforto gostoso nela. E a letra fala sobre amor intenso e passageiro. Esta aqui.
Tive um daqueles AHA Moments quando pensei poderia ajudar empreendedores com dificuldade de manter seus clientes, usando princípios de Copy e CS, especialmente no contexto de SaaS e infoprodutos. E disso saiu meu eBook para mostrar como podem fazer isso, simplesmente usando emails. Baixe aqui.
Esse seriado me mostra muito sobre liderança, empatia, colocar o outro em primeiro lugar (nem sempre tão bom), amizades. Chama-se New Amsterdam. Não sei se tem episódios que não chorei.
Ruído na frequência
If it’s not impossible, then it’s worth the risk.
Em tradução literal, “Se não é impossível, então vale o risco.”
Um abraço,
Dance, mesmo que na sua mente. 👣
Ana Miwa
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