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Onboarding não é apagar incêndios
Pulso - Edição #011

Ainda existem empresas que tratam onboarding como se fossem bombeiros apagando incêndios, esperam o usuário ter problemas e perguntar primeiro. Aí elas vêm e resolvem. Mas nisso, transformaram o que poderia ser uma experiência bacana - com uma pequena quick win logo de cara - em pura dor.
Se primeiras impressões com pessoas ficam, com ferramentas também ficam.
Com o passar do tempo, isso pode:
trazer menos pessoas de volta
a pessoa volta porque precisa, mesmo com dificuldades, pois não é fácil fazer as coisas acontecerem
não fica um SaaS como parte da rotina normal, mas como obrigação
se tiver outra escolha, ele cai fora.
Essa sensação de frustração se instala cada vez mais forte, chegando até a raiz. E é difícil de retirar depois que os usuários sentem isso.
Outro dia, conversava sobre escola com meu namorado. Aquela época em que, especialmente se você é de cidade pequena e todo mundo te conhece, o professor sabe praticamente tudo sobre você. Era mais fácil, era quase como pegar na sua mão e te levar da primeira série até o terceiro colegial.
Na faculdade isso acabou.
Na vida real, nem existe isso, pelo menos, na maior parte dos casos.
E assim começou a era do autoaprendizado forçado. Plataformas modernas empurraram o usuário para o modelo self-service - você aprende no seu ritmo, do seu jeito, sozinho.
E claro, funciona para muitas pessoas. Porém tem quem não saiba navegar sozinha.
Ao mesmo tempo, com tudo acontecendo tudo junto & misturado, a internet acelera a cultura de abandonar tudo.
Sabe quando você abre 327 páginas no seu navegador e uma hora dá pane no sistema e você decide fechar tudo? É mais ou menos isso, você fecha coisas que não deveria e se esquece delas.
O usuário fechou o seu site, seu sistema. E se não tiver nada lembrando ele do que estava fazendo ou qual era o objetivo? Adeus. Até nunca mais. Especialmente no comecinho, em que ele nem gravou na memória quem é você e o que você vendeu.
O onboarding vem para resolver isso, para preparar ele, para guiá-lo durante toda a jornada. Em SaaS, nessas jornadas têm features que nascem todos os dias (ou meses, dependendo da empresa) é importante que o momento de ambientação continue existindo e guiando o usuário até a próxima quick win.
Lembrando que email de lançamento que apresenta tudo de uma vez só não resolve. Mais confunde do que qualquer outra coisa.
Os softwares tendem a se tornar mais e mais complexos: criam automações, pedem personalizações, puxam uma IA para facilitar a vida. No final, isso deixa mais sofisticado e aumenta o nível de aprendizado que o usuário precisa ter. E com isso temos mais usuários perdidos.
Se você for o único no mercado, tudo certo. Não terá jeito, o usuário vai precisar aprender para resolver o problema dele.
Igual ao Photoshop antigamente, quando ele era o único no mercado, só quem se dedicasse, aprendesse em um curso ou por conta própria, com tempo e esforço, conseguia criar imagens incríveis, transformar fotos mais ou menos em cenas maravilhosas.
Agora, tem Canva, Lightroom, Inkscape, Gimp, Krita, Photor, cada dia uma nova IA…
Existem softwares intuitivos e existem aqueles que continuam complexos, mas contam com um onboarding que tem tudo o que o usuário precisa para aprender e ter sucesso.
Quem explica direito antes, ativa mais.
Onboarding, em tese, deve responder às perguntas antes delas serem feitas ou formuladas. E não deixar o time apagando incêndios todos os dias. Ele deve ser um guia, um facilitador da ação, um mentor para o sucesso.
Me diga, seu onboarding é como?
Ressonâncias
Uma música gostosinha, bem pop em quem meu “she” é a vida me chamando: There's Nothing Holdin' Me Back do Shawn Mendes.
Essa semana vai sair mais uma edição da Caderno de Campo, minha outra newsletter que falo como tem sido a saída da CLT para o empreendedorismo. É a última semana empregada, então… Venha ler (:
E para semana que vem, sem rotina de empresa, vou criar a minha - yae! Gostei muito da leitura deste texto, que fala da autodisciplina que os japoneses têm, como algo cultural. Conhecia Kaizen e Gambatte. Vou com certeza aplicar isso para mim.
Ruído na frequência
O instante é um pássaro que foge das mãos.
Um abraço,
Ana Miwa
Dance, mesmo que na sua mente. 👣
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