- pulso
- Posts
- "Como Posso Ajudar?" - A Liderança Servidora de dr. Max Goodwin
"Como Posso Ajudar?" - A Liderança Servidora de dr. Max Goodwin
Pulso - Edição #009

"Como posso ajudar?"
É assim que dr. Max Goodwin chega para trabalhar no hospital público New Amsterdam de Nova York. Não é um cumprimento casual. É um mantra. Uma declaração de propósito que ele repete incansavelmente - para médicos, enfermeiros, pacientes e até para si mesmo.
Max se vê como Diretor Médico que veio para servir aos outros. Alguém que veio tornar o trabalho deles mais fácil. Alguém que vai ajudar o máximo de pacientes que seja possível.
Esse é o retrato perfeito de uma Liderança Servidora - aquela que puxa o brilho para o liderado e não para si, que abre caminhos em vez de ocupar holofotes.
Acho que nunca vi uma ao vivo. Nunca conheci alguém que liderasse assim. Gostaria de ter tido. Gostaria de ser. Apenas li, há alguns anos no livro “O monge e o executivo” e desde então procurei por ela.
Max em Ação: abrindo o mar
Logo no primeiro episódio, Max convoca uma reunião com toda a equipe médica. Ele é o novo diretor médico e ninguém o conhece. Ele pergunta: "Como posso ajudar?". Silêncio. Ninguém responde, sem entender.
Ele repete a pergunta, explicando que seu papel é ajudá-los para que eles possam ajudar seus pacientes. Mesmo assim, ninguém fala nada.
Para provar que está falando sério, Max pergunta quem é da área de cardiologia. E os demite ali mesmo. O motivo? Eles colocavam salário acima do cuidado com os pacientes. É um choque. Só que ele quer deixar claro: os pacientes vêm primeiro lugar, sempre.
Quando ele volta à pergunta, "como posso ajudar?", agora as mãos se levantam. A dra. Lauren Bloom pede que na Emergência os pacientes entrem direto, sem triagem. Max pergunta porque, entende o pedido de verdade, e diz: "Feito". O dr. Iggy Frome pede que as comidas servidas ali no Hospital sejam saudáveis. "Feito".
Ele não chega com as suas próprias ideias para consertar o hospital. Ele busca os problemas com aqueles que estão mais próximos dele. E depois remove os obstáculos. Abre o mar.
Ele sabe ouvir e ver as sugestões dos médicos e ainda assim, não ser ingênuo ou levado.
Em um episódio, uma criança está sendo tratada com muitos remédios pesados, mesmo em uma idade pequena. O dr. Iggy precisa desintoxicar para fazer terapia adequada, mas o Sistema Escolar de NYC ameaça expulsar o aluno se ele não estiver medicado.
Max pergunta se Iggy tem certeza que pode ajudar o garoto. "Sim". E então: "Processe o Sistema Escolar de Nova York”. Durante o episódio, ele avisa que se der errado, o hospital estará sob uma responsabilidade terrível. Só que eles entendem que o que estão fazendo é colocar o paciente em primeiro lugar e que Max está desse mesmo lado.
Max também erra. No episódio "Boundaries", durante uma conferência que leva quase todos os cirurgiões cardiotorácicos para fora da cidade, Max se compromete a cobrir casos extras de hospitais vizinhos. Depois sai do hospital para ajudar uma moradora de rua. Quando volta, o pronto-socorro está transbordando - pacientes em macas improvisadas, cadeiras, até no chão.
Ele convoca reunião de emergência e admite na frente da equipe exausta: "Eu causei isso. Tentei ajudar a todos e acabei não ajudando ninguém." Não pede compreensão nem perdão. Pergunta "como posso aliviar a pressão agora? O que vocês precisam de mim?".
Quando um líder admite erro rapidamente, sem orgulho ferido, ele mantém a confiança. Max mostra que liderança servidora não é sobre ser perfeito, é sobre ser humano e responsável.
A liderança servidora não é a única forma de liderar, e New Amsterdam mostra outros tipos.
Alguns tipos de lideranças
A dra. Lauren Bloom comanda a Emergência com ordens diretas - "faça isso, agora" - e precisa, dado o ritmo frenético do setor onde decisões de vida ou morte não esperam consenso.
No edisódio “Pressure Drop”, a Bloom tenta liderar de forma mais suave após um período relaxante, logo ela percebe que precisa voltar ao seu "eu líder natural". E está tudo bem. O ambiente dela pede isso.
Outra é a Dra. Helen Sharpe que tem um estilo bem diferente. No começo, ela mal ficava no hospital, tratando de pacientes. Ela costumava estar em entrevistas na TV, usando o seu carisma para trazer atenção e investimentos para Oncologia e para o Hospital. Ela tem esse brilho pessoal, magnético. E também sabe ser centralizadora.
Um episódio, ela recebe reclamações dos outros médicos esperando que ela, como vice-diretora, resolva os problemas. Com uma liderança mais autocrática e conhecimento profundo das áreas, ela manda: "você faça isso e isso" para cada um. Não foi o que pediram. Foi o que ela viu que era necessário.
Um que lembra o estilo de Max é o dr. Kapoor. Ele sempre se coloca atrás, quase invisível, sempre muito centrado no paciente e no que ele tem a dizer.
Um exemplo é quando uma senhora chegou com a descrição de que tinha tontura. E Dr. Kapoor apenas pede que ela descreva o que isso significa para ela, nas palavras dela. Ela não consegue. Passa o episódio inteiro sem responder. Apenas quando ela fala que é porque sente que vai cair ao levantar, como se os pés não estivessem lá é que ele chega ao diagnóstico.
O dr. Kapoor ouve pacientemente os pacientes para chegar ao diagnóstico e tratamento, com uma abordagem mais democrática e ética nos seus relacionamentos.
Cada médico tem um perfil e escolhe um tipo de liderança, que seja melhor para o ambiente ou que seja mais próxima do que ela deseja. Mas é uma escolha ativa.
Qual liderança você quer ter?
Gosto do tipo de liderança que o Max tem. Parece que se o seu time tem clareza de onde quer ir, ele meio que abre o mar para você passar, pelo menos é isso que imagino.
Mas liderança servidora é rara. Muito rara.
Quando você imagina uma liderança, você a imagina como?
Forte, que dá ordens?
Magnética, que move multidões?
Democrática, que escuta todos?
Vejo a liderança muito condizente com o perfil da pessoa e com o ambiente em que ela se insere. Bloom precisa ser autocrática na Emergência. Sharpe usa carisma na Oncologia. Kapoor cria espaço de escuta na Neurologia. Iggy acolhe na Psiquiatria.
E Max? Max serve. Ativamente, visivelmente, incansavelmente.
Em uma empresa crescendo, seria transformador ter um líder que retirasse todas as paradas do caminho para que o time pudesse agir sem travas. Em épocas de crise, um que delegasse com clareza o que é importante já, jogando na ação sem paralisia, pode ser exatamente o que salva tudo.
Não existe "a melhor liderança" em absoluto. Existe a melhor liderança para aquele time, naquele momento, naquele ambiente.
A verdadeira pergunta é: Qual tipo de liderança você gostaria de ter? E como você pode ser a melhor liderança para o seu time?
A forma como você é liderado ou como você lidera faz realmente diferença no seu dia a dia.
Ressonâncias
O luto é uma fase muito delicada e gostei muito de como o cantor Dan Reynolds da banda Imagine Dragons colocou na música The Wrecked.
Estou na dúvida se leio As 220 Mortes de Laura Lins ou Cartas a um jovem poeta. Você indicaria um?
Tem newsletter que você aprende, outras que você se informa, que querem te vender algo. Esta tem um toque de criatividade com humor e coisas sim, válidas para a vida. Achei muito boa esta “Tô com uns parafusos a mais”.
Ruído na frequência
Um líder é alguém que identifica e satisfaz as necessidades legítimas de seus liderados. Removendo todas as barreiras para que possam servir ao cliente. Para liderar, você deve servir.
Um abraço,
Ana Miwa
Dance, mesmo que na sua mente. 👣
Reply