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Uma carreira é uma viagem de trem, com várias paradas
Pulso - Edição #003

Quando não há paixão, um trabalho é só um trabalho. E se você não gosta do que faz, pode e deve, ou deveria, experimentar outras coisas.
Até mesmo astros e aqueles que chegaram ao topo experimentam e se refazem.
Porque mudar não é desistir, mas seguir em busca do seu sonho.
Às vezes, a gente precisa se lembrar disso.
Porque o ambiente em que a gente dedica 8h por dia, 40-44h por semana - um terço das nossas vidas - nem sempre nos traz pontos positivos, além do salário.
E é preciso parar, ver e analisar quando é o caso.

Lembro do curso que o Murilo Gun liberou durante a pandemia de 2020, Reaprendizagem Criativa.
Ele disse que muitas pessoas - e já estive nesse grupo - sofrem da Síndrome do Fantástico. Chega no domingo à noite e a pessoa pensa com desânimo: já é segunda-feira de novo e abaixa a cabeça.
Cada manhã é um fardo, só para começar o dia e trabalhar.
Sinto que muitas vezes, a gente acha que algo é a nossa paixão. E no decorrer do caminho percebe que não era, ou que o ambiente era inadequado.
Mas é muito difícil perceber e sair.
Parece que sair é desistir. E que desistir é para pessoas fracas. Somos ensinados isso.
Pois “pessoas apaixonadas são aquelas que perseveram”.
Se você realmente ama o que faz, beleza. Continue. Caso contrário, tá tudo bem mudar (:
A busca pela paixão não é um trem com um destino, mas um trem com muitas paradas diferentes ao longo do caminho.
Uma metáfora que li num artigo da Harvard Business. E para mim, parece se aplicar bem.
Já quis ser professora, advogada, promotora, psicóloga… No final do ensino médio já queria outra coisa: queria estudar vulcões (mesmo morando no Brasil).
Na faculdade, vivi uma perda pessoal e nesse meio, fui puxada fortemente pela AIESEC de Floripa. Foi o lugar onde vi e senti a energia das pessoas e do que fazíamos ali nos Projetos Sociais.
Acabei me tornando Relações Públicas e me desenvolvendo em comunicação e relacionamentos corporativos. E estou direcionando agora para a área da escrita (sim, mesmo na era das IA).
E não que persiga o estrelato, apenas quero trabalhar com o que me faz bem.
Nesse caminho, encontrei algumas histórias de pessoas que fizeram uma bela viagem, com várias paradas, antes de se tornarem realmente boas naquilo que faziam.
Gente grande também muda
Descobri uma roteirista e diretora que teve a profissão da minha graduação, Ava DuVernay. Parece que ela sempre foi apaixonada por filmes. “Pegou” da sua tia.
Quando era RP, trabalhava com publicidade deles. E no fim, veio a escrever e dirigir, por conta própria. E vi nela algo que vejo em poucos profissionais - uma paixão que transborda (veja mais na seção Ressonâncias).
Ava DuVernay parece ter feito essas mudanças querendo fazê-las. Mas alguns não tem essa “sorte”.
Você imaginaria que Vera Wang era uma patinadora que competia e sonhava em ir para às Olimpíadas? Ela se tornou editora da Vogue, mas quando abriu a vaga para editora-chefe, Anna Wintour pegou o cargo.
Duas vezes ela teve a porta fechada na cara dela.
Depois disso, Vera Wang decidiu se tornar designer de modas. Agora, ela tem uma marca com seu próprio nome que é sinônimo de vestido para noivas.
Se a vida muda, você também tem esse direito
Muitas profissões desaparecem e novas surgem.
A vida pede evolução. Sempre que algo novo surge, algo grande, você percebe: novos hábitos, novas relações de trocas, novos paradigmas, novas evidências, novas dores…
Penso que temos muito tempo em uma vida para continuar para sempre fazendo a mesma coisa. Todos e todos os dias.
Pior que isso, é se sentir triste, desanimado naquilo que se faz. E querer persistir só porque é cômodo ou por causa das contas a se pagar, é um preço grande demais.
Talvez a gente precise de um “não” para aquilo que a gente imaginava ser nosso. Ou um amigo para apoiar, “vai, sei que você dá conta!”. Ou um desconhecido para perceber algo em você e o convidar para uma aventura nova.
Não importa como.
Quando algo te incomoda e você dá espaço… Pode ser justo aquilo que você precisava para tirar um projeto da gaveta.
Começando pequeno nos tempos livres ou se jogando de cabeça. E estando aberto ao que o próximo dia trouxer.
O essencial é fazer.
E lembre-se, enquanto houver vida, o trem nunca para de verdade.
Ressonâncias
Assisti este vídeo da Ava DuVernay falando sobre os filmes que ela produziu. Você a paixão transbordando nas falas dela, nas expressões faciais, dá quase para sentir a energia dela. Vale a pena ver.
Se você vive com muitos pensamentos atormentando na cabeça, este texto pode te ajudar.
A gente tava falando de Malhação esses dias e me lembrei da Marjorie Sumida Estiano. Deu uma saudades das músicas que ela fazia, como esta.
Ruído na frequência
Never do anything in the gym today that prevents you from working out tomorrow.
Numa tradução livre: Nunca faça algo na academia hoje que o impeça de malhar amanhã. Ou em todas as áreas de sua vida.
Um abraço,
Ana Miwa
Dance, mesmo que na sua mente. 👣
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